quinta-feira, 27 de junho de 2013

A cidade amarela



Era uma vez uma cidade de prédios amarelos.
As pessoas vestiam-se de amarelo.
Tinham carros amarelos.
Gostavam de filmes a preto e amarelo.
Pintavam o cabelo de amarelo.
Comiam caril, amarelo!...

Um dia, num jardim, nasceu uma flor encarnada.
E depois, outra. E a seguir uma azul.
Depois veio uma branca, outra rosa e outra e outra.
De todas as cores.
Não paravam de nascer flores no jardim.

Ordenaram que fossem arrancadas – estava em causa a identidade da cidade!

Mas no dia seguinte, quando a cidade acordou, não havia só cores no jardim.
Havia cores por todo o lado. Nas varandas, nos canteiros, nos passeios e nos beirais.
A cor tinha tomado a cidade amarela!

Todos saíram à rua com uma flor e um apontamento de cor.
No cabelo, na lapela, em raminhos ou de forma singela, na mão.


E desde esse dia, os seus sorrisos nunca mais foram amarelos...

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