segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O momento presente


O momento presente. Olha-o. Sente-o.
Deixa que ele respire, como uma coisa viva. E tem muito cuidado: ele pode quebrar-se.
Pega nele e desembrulha-o com muito cuidado. Olha devagar para ele, parado no canto do quarto,  ou misturado com as folhas abertas de um jornal.
Contempla o momento presente como um amigo antigo, tão familiar que não sentes medo dessa presença quieta, ali no canto do quarto. Deixa que o vento sopre sobre ele.
Procura contemplá-lo no silêncio mais absoluto.
Não há memória nesse olhar. Nunca o viste antes.
Tenha a forma que tiver — um bebé, um cristal, um diamante, uma caneta, uma pera, um postal, uma pessoa, um patim — não se parece com nada que tenhas visto antes.
Só está ali, à tua frente, como um pedaço de argila à espera de que tu o tomes nas tuas mãos para lhe dares uma forma qualquer — um bebé, um cristal, um diamante e assim por diante. E se não o fizeres, ele far-se-á sozinho, o momento presente.
Não chores sobre ele.
No máximo dá um suspiro. Mas discreto, baixinho, quase inaudível.
Não o agarres com voracidade — lembra-te, ele pode partir-se.
Não te rias dele, por mais ridículo que pareça.
Concentra-te nessa falta absoluta de emoção. Não esperes nada dele, nenhuma alegria, nenhum calor no coração. Ele não te vai dar nada, o momento presente.
Deixe que ele respire, como uma coisa viva. Respira tu também, como coisa viva que és.
Respira e respira. Conte até dez, até vinte talvez.
Daqui a pouco o momento presente vai começar a transformar-se noutra coisa.
Uma coisa inteiramente imprevisível - nem ele sabe em quê: os momentos presentes não têm controlo sobre si mesmos.
Se o telefone tocar, atende.
Se baterem à porta, vai abrir.
Quando voltares a estar desocupada, procura-o novamente com os olhos.
Ele já não vai lá estar.
E vai haver outro no seu lugar.
E então, como a um bebé ou a um cristal, toma-o nas mãos com muito cuidado. Ele pode partir-se, o momento presente.
Experimenta então dizer “eu amo-te”, ou qualquer coisa assim, para ninguém.
 
Adaptado de Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Lua Nova de Leão

LUA NOVA - Aprendendo a reconhecer que existe um tempo de novos começos, de criatividade e originalidade quando, como a Lua Nova, acolhemos a nossa criança interior e sentimos a Verdade da sua entrega à Vida, a sua ligação com a alma, com a essência e com o coração.

O ciclo lunar, a Grande Roda, representa a experiência cíclica da Vida, numa visão feminina e orgânica.
A Lua Nova é tempo de harmonia interior e de recolhimento.
É o início oculto de um novo ciclo. É a semente do ciclo lunar que começa.

O Sol em Leão reforça a importância do reconhecimento da nossa individualidade.
É um tempo de calor, alegria, confiança e generosidade.
Saturno em Balança, conjunto a Marte e em sextil ao Sol e à Lua oferece a oportunidade de aliar a vontade e a capacidade de realização; Mercúrio em Leão em trígono a Urano favorece a criatividade e o sentido de individualidade; Vénus em Caranguejo, oposta a Plutão e em quadratura a Urano, representa o grande desafio do mês; potencializa paixões e sentimentos, fazendo-nos olhar para o que valorizamos e permitindo eliminar tudo o que estagnou e já cumpriu o seu propósito nas nossas vidas. O trígono de Quíron a Vénus incentiva a transformação e a cura. Pede maturidade e equilíbrio e mais atenção ao coração.

Na fase da Lua Nova, o espírito e o corpo são recarregados para um novo mês. A vitalidade física e as emoções trabalham em conjunto de forma harmoniosa.
Na Lua Nova, é importante um tempo de meditação, de silêncio e alinhamento, de energização e de visualização de formas de pensamento que consideramos serem importantes no mês que começa.



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Vénus em Caranguejo



VÉNUS EM CARANGUEJO – Tempo de intimidade, romantismo e família; tempo de cuidar e ser cuidada(o); tempo de esvaziar a vida do lixo emocional acumulado.


De 7 de Agosto a 6 de Setembro Vénus está em Caranguejo, signo lunar, mergulhando num mar de sentimentos e ambivalências.
Vénus em Caranguejo valoriza a intimidade, a família, a sensibilidade, o aconchego e o conforto. Acentua o romantismo e a sensibilidade. Quer viver o amor com o coração, quer cuidar e ser cuidada.
Durante este período, há necessidade de aprofundar as relações; as demonstrações de afecto parecem ganhar mais importância, assim como a segurança e a estabilidade emocionais.

Vénus em Caranguejo enfatiza o papel da família e do passado na formação dos nossos padrões emocionais e afetivos; com a oposição de Plutão em Capricórnio, a quadratura de Urano em Carneiro e de Saturno em Balança, a passagem de Vénus por Caranguejo, traz consigo alguma tensão, possíveis perdas, rupturas e mudanças. É a oportunidade de limpar a nossa “casa” do apego a mágoas e a velhos hábitos e comportamentos, e de projecções emocionais e cobranças imaturas. Depois de retirado o “lixo” emocional, fica o que tem realmente valor: as escolhas da alma e aquilo que a nutre.
Vénus em Caranguejo vem pedir mais cuidado e atenção com aqueles que nos são queridos e especiais e autenticidade na expressão dos nossos sentimentos mais profundos, o carinho, o cuidado, a compaixão e o amor.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Despertar


"Não há despertar de consciências sem dor.
As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo, para evitar enfrentar a sua própria sombra.

Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão."
Carl Jung